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:: Da Romanização às Invasões Bárbaras
No século I d. C. o Alto Paiva, pacificado pelos Romanos, incluía-se na província da Lusitânia. Nesse período ocorre a integração do território no Império e dá-se um complexo processo de aculturação. O concelho de Vila Nova de Paiva deveria corresponder aos limites entre as civitates (centros urbanos e seu território) de Lamego e de Viseu, pólos de irradiação da cultura dominante. A inscrição monumental de Cavalinho (Alhais) – FINIS – testemunha a importância que terá assumido a demarcação territorial, indicando que aí existiria uma fronteira entre povos. A malha organizativa de época romana deixava um grande espaço ao mundo rural, pois a área de influência dos centros urbanos estaria limitada pela distância. A estas terras chegariam apenas ecos da presença romanizadora, imperando um modo de vida agro-pastoril, de auto-subsistência. Vila Nova de Paiva seria atravessada por caminhos que corresponderiam a vias secundárias de cronologia antiga e medieval. Estas serviriam a população local, permitindo ligações regionais, e também transregionais. São dois os eixos fundamentais que se desenham na topografia – corredores naturais que cruzam a região sensivelmente nas direcções dos quatro pontos cardeais. No eixo Sul-Norte teríamos uma via a ligar Viseu e Lamego, passando junto a Fráguas e Adomingueiros (Touro). Cruzando esta por alturas de Vila Cova-à-Coelheira, encontra-se o eixo Oeste-Este que, vindo de Castro Daire, demandaria o poente através do vale do Paiva. A proximidade de linhas de água e da rede viária terão constituído factores determinantes do estabelecimento dos locais de exploração agropastoril – pequenas quintas, casais, e também espaços vocacionados para a assistência aos viandantes, à beira dos caminhos. Regista-se ainda mineração de ouro e estanho em Queiriga e forjas em Fráguas. As populações terão adoptado certo número de novidades introduzidas pelos latinos, designadamente ao nível dos materiais de construção, como a telha, e outros reveladores de algum requinte, no caso da utilização de cerâmica de mesa importada, a sigillata. Em suma, a Época Romana foi um período de integração das populações do concelho de Vila Nova de Paiva numa rede mais vasta de intercâmbio cultural e económico. A escalada da instabilidade do poder imperial precipitará as Invasões Bárbaras que se estenderão à Península Ibérica no século V. O Norte de Portugal foi ocupado pelos Suevos, e na centúria seguinte pelos Visigodos. Apesar da aproximação de interesses entre germanos e a elite hispano-romana, resultou afinal um novo quadro ao nível da administração e fiscalidade, de feição ruralizante e permeável à invasão Muçulmana em Setecentos. O estudo das terras do Alto Paiva dos séculos V a XII está condicionado pela irregularidade ou ausência de fontes, particularmente para o período entre os séculos V e VIII. Os documentos escritos aparecem só escassamente a partir dos finais do século X, e os dados arqueológicos, sobretudo de natureza funerária, não permitem apurar a cronologia fina, ao passo que as contribuições da toponímia levantam ainda muitas dúvidas. |