Montou no quintal de casa, em Vila Nova de Tonda, Tondela, um sistema de painéis solares. Com eles produz energia, que depois injecta na rede pública. A EDP paga-lhe quase seis vezes mais do que ele pagaria a energia tradicional.
É um dos primeiros produtores privados do país que vende à EDP electricidade que produz em casa, através de um sistema de placas fotovoltaicas que instalou no quintal.
O complexo, constituído por 20 painéis solares, está a funcionar desde 10 de Outubro passado e custou cerca de 28 mil euros a António Correia, funcionário público, chefe de uma repartição de Finanças em Viseu, que espera conseguir o retorno do capital investido, num prazo máximo de oito anos.
Nos primeiros 40 dias, de 10 de Outubro a 20 de Novembro, já recuperou 360 euros.
A contabilidade comparativa entre o que produzem as duas dezenas de painéis solares e a energia que depois é injectada na rede pública, é controlada por mecanismos distintos. É através deles que António Correia faz a leitura dos custos e dos proveitos. "Sei sempre a quantidade de electricidade que foi produzida", garante.
O sistema fotovoltaico que instalou no quintal de casa, converte a energia solar em electricidade, devido ao seu material semi-condutor. Com a ajuda de um conjunto de baterias pode-se armazenar a energia ou então optar-se por injectá-la directamente da rede eléctrica. É o que faz António Correia. E ganha muito com a opção tomada, já que a EDP lhe paga cada Kw que produz a 65 cêntimos, quase seis vezes mais do valor que a empresa cobra por cada KW ao consumidor.
Mas o sistema proporciona ainda ganhos a outro nível, designadamente na redução de emissões de CO2 para a atmosfera. Há estudos que apontam para uma diminuição mínima de 20%, por exemplo, relativamente a uma central térmica convencional.
A quantidade de energia que produz no quintal, depende da intensidade com que os painéis captam os raios solares. No Verão, o volume é bastante maior que no Inverno. "Mas mesmo quando o céu está cinzento, há sempre produção de energia", sublinha António Correia.
Portugal, logo a seguir à Grécia e à Espanha, goza do maior potencial de aproveitamento de energia solar da Europa, com mais de 2300 horas/ano de insolação na região norte, e 3000 horas/ano no Algarve. No entanto, o aproveitamento que em Portugal se faz da energia do sol "é francamente reduzido, verificando-se que este sector tem estado confinado à sombra, quando comparado com a utilização das fontes eólica e hídrica", lembram vários especialistas na matéria, com estudos e obra publicada.
Texto: Rui Bondoso
Fonte: Jornal de Notícias