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Este fim-de-semana realizou-se a sexta edição do Festival do Caldo

 Caldos e caldinhos na Festa da Sopa
 
Caldos e caldinhos numa história de vivências de há uns anos na região das Beiras, não muito longínquos que o inspector Lopes Pires decidiu levar ao VI Festival do Caldo - Festa da Sopa.
"Já toda a gente sabe que a sopa faz bem a tudo, que tem vitaminas e sais minerais e outras coisas mais e como tal não me vou repetir", justificou Lopes Pires. No entender do inspector, "toda a gente sabe dos benefícios que este alimento tem" e como não é médico, achou por bem, usar dos seus conhecimentos e criar uma história que "retratasse as vivências de um povo beirão que sempre fez sopas deliciosas, de modo a aproveitar todos os ingredientes possíveis e, às vezes, até já completamente ressequidos mas que sempre davam para fazer uma sopa".
Segundo Lopes Pires, "isto passava-se até à década de 50, 60 e talvez, em alguns lugares, ainda na década de 70". "Usavam aqueles feijões estasados como se dizia nas aldeias, que é como quem diz, ressequidos. Antigamente usavam alguns alimentos como os feijões, favas ou castanhas, já muito ressequidas e passadas no tempo para fazer as sopas. Era uma forma de aproveitar tudo o que era possível para alimentar a fome", explica.
Um caldo saboroso em dias de festa ou um caldinho que muitas vezes era preparado para os outros. Um caldo em vários sentidos, numa língua ambígua e com subtilezas, particularidades de um povo que alimentou um enredo beirão e despertou o apetite aos presentes para o momento que se seguia, o da degustação das mais de 50 sopas, dos mais de 40 restaurantes representados, com cerca de dois mil litros de sopa para servir.

Sobrou sopa pela primeira vez

Dos litros de sopa levados ao pavilhão do Inatel, sobraram cerca de 300, fruto de uma adesão menor por parte do público, que a organização acabou por distribuir em vários bairros sociais da cidade, a dezenas de famílias.
"O festival, este ano, contou com cerca de 2500 pessoas, contrariando as mais de quatro mil que costumam participar na festa. Talvez por não ter sido realizado na época em que já habituámos os cidadãos, no final de Outubro, e o facto de estar mais perto do Natal, do muito mau tempo e a crise financeira que todos nós estamos a sofrer são, sem dúvida as causas para esta diminuição de pessoas", conta o almoxarife da Confraria de Saberes e Sabores da Beira de Grão Vasco, José Ernesto que, juntamente com o Inatel organizou o evento.
Os escuteiros de Repeses voluntariaram-se para ajudar na organização e orientação dos participantes assim como na distribuição nocturna da sopa que restou. "O Bairro de Paradinha, o da Balsa e um em Abraveses foram visitados por nós. Levámos sopa e pão que tinha sobrado e senti-me melhor depois de perceber que aquela sopa era, possivelmente, a única refeição que foi feita naquele dia", indicou José Ernesto.
A acção "foi possível, graças à boa vontade dos escuteiros que se mostraram logo disponíveis, aos confrades Paula Teixeira, Marina Barreiros e António Meneses e à escuteira Maria de São José que foram incansáveis, debaixo daquela chuva imensa", elogiou José Ernesto.

Fonte: Diário de Viseu

 


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