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Cerca de 1500 alunos fecham quatro escolas

 A manifestação era de âmbito nacional mas, só os estudantes de Viseu é que aderiram em massa à greve. Com as escolas fechadas, marcharam para o Rossio e, de seguida, para a Avenida Alberto Sampaio, em frente ao Governo Civil de Viseu. A manifestação ficou marcada pelas acusações de violência, uso de força e de gás pimenta e uns ovos no edifício governamental
 Cerca de 1500 alunos fecham quatro escolas  

Antes da hora do início das aulas já os portões das escolas estavam fechados a cadeado. Oa alunos da Escola Básica 2, 3 Infante Dom Henrique, em Repeses e das Secundárias Alves Martins, Emídio Navarro e Viriato, na cidade, foram em marcha até ao Rossio, onde se juntaram cerca de 1500 estudantes.
Viseu marcou a greve nacional sendo que foi a única cidade que levou mais estudantes à rua, uma vez que noutros pontos do país foram apenas algumas dezenas de alunos que saíram à rua, como no Porto, por exemplo.
Ainda antes da partida para o centro da cidade já a manifestação dava que falar. À porta da Escola Secundária Alves Martins (ESAM) a confusão instalou-se quando elementos da Polícia de Segurança Pública (PSP) cortaram o cadeado e abriram os portões.
Entre encontrões, gritos e alguma confusão os estudantes acusam os agentes de "demasiada violência, quando não se justificava", como relata o presidente da Associação de Estudantes da ESAM, Guilherme Almeida. "Agrediram-me com o cassetete no ombro e deram-me um murro e eu tive que retaliar e empurrei os agentes", conta um dos alunos da escola Fábio Sampaio.
No meio dos confrontos também se queixaram do uso de gás pimenta, apesar de ninguém conseguir perceber de onde é que ele veio. "Estava uma grande confusão e foi na hora em que a polícia estava à nossa volta, quando, de repente, comecei a sentir uma impressão muito grande na garganta, parecia que estava arranhada e os olhos a arder muito e tive que sair dali. Nem sabia o que era só depois é que me disseram que era gás pimenta", relata uma outra aluna da mesma escola, do 11.º ano, Raquel Silva.

Comandante da PSP desmente

O comandante da PSP, Vítor Rodrigues, contou aos jornalistas que, "infelizmente já não é a primeira vez que acusam os agentes deste tipo de atitude, mas isto não é verdade". "Para estas situações os agentes que vão em primeira linha são os da Escola Segura, que conhecem os alunos e professores e têm outra sensibilidade para com os estudantes. Nunca partiríamos para este tipo de violência com os jovens. Pelo contrário, foram eles que empurraram alguns deles mas, a ordem, era nunca reagiram para evitarem este tipo de acusações", relata o intendente Vítor Rodrigues.
O comandante adianta ainda que "nunca seria usado gás pimenta numa situação destas, onde há jovens". "É totalmente mentira. Se houve algum gás pimenta não partiu com certeza da PSP. Eles é que ainda foram agredidos com maçãs e bolos".
Vítor Rodrigues admite que, "quando os alunos quiseram impedir o corte do cadeado, os agentes tiveram a necessidade de afastar os jovens para fazerem um cordão humano e impedir o bloqueio do portão".

Reivindicação dos estudantes

Com cartazes de protesto e algumas palavras de ordem contra as políticas do Governo, com especial enfoque na ministra da Educação, os alunos aprovaram uma moção que foi lida no Rossio, - um local escolhido estrategicamente por ser "mais indicado para darem a conhecer à sociedade as reivindicações", como conta Guilherme Almeida - e que foi entregue, minutos mais tarde, ao Governador Civil de Viseu, Acácio Pinto, que se responsabilizou em fazê-la chegar ao ministério.
"A luta continua, os estudantes para a rua" ecoava no Rossio, da boca de cerca de 1500 alunos que exibiam cartazes de contestação. "Ministra como justifico as faltas para ir ao teu funeral?" exibia um dos alunos. "Não podemos aceitar este Estatuto do aluno, nomeadamente o prazo para justificar as faltas. De cinco passou para três dias mas há muitos alunos que só vão ao fim-de-semana a casa", alerta Guilherme Almeida que faz referência ao que está escrito na moção.
"Estamos aqui para fazer frente às ofensivas levadas a cabo pelo Governo PS, queremos uma escola pública acessível, gratuita e com qualidade", acrescenta.

Ovos no Governo Civil

Na avenida Alberto Sampaio junto ao Governo Civil de Viseu, já alguns alunos tinham dispersado. Em frente ao edifício governamental os alunos não pouparam assobios e apupos e, as palavras de ordem passavam pela exigência da saída da ministra da Educação.
De entre os gritos e saltos dos estudantes surgem ovos em direcção ao edifício. Os dirigentes associativos, através dos megafones, quando se depararam com os ovos apelaram ao fim deste tipo de manifestação. "Por favor não façam isso, assim perdemos a razão. Não podemos ter este tipo de atitude".
Uma atitude que Guilherme Almeida lamentou e, pessoalmente, pediu desculpas "pelos actos isolados de alguns alunos" ao governador civil. "Há situações que não conseguimos controlar. São muitos os estudantes e é possível que haja um ou outro que pratique este tipo de acto que condenamos", anunciou o dirigente associativo

Fonte: Diário de Viseu

 


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