O posto de trabalho para cerca de 200 operários da PSA/Peugeot-Citroen está em risco. Os sindicatos e o PCP garantem que a administração da empresa de Mangualde não vai renovar os contratos a prazo.
A administração da PSA/Peugeot-Citroen, em Mangualde, não deverá renovar os contratos a prazo a pelo menos duas centenas de trabalhadores. A denúncia é da estrutura de Viseu do Partido Comunista Português (PCP) e é partilhada pela União dos Sindicatos do Distrito de Viseu, que ontem estiveram à porta da empresa em contacto com os operários. "A administração está a despedir os trabalhadores em fim de contrato a prazo e os precários das empresas de aluguer de mão-de-obra. Estimamos que pelo menos 200 não verão renovado o vínculo de trabalho", alertou ontem João Abreu, dirigente em Viseu do PCP. "Poderão ser 200 ou mesmo mais", reforça Amadeu Rodrigues, da União dos Sindicatos. A PSA/Peugeot-Citroen tem 1365 trabalhadores, dos quais cerca de 515 são precários, com contratos a prazo. Os restantes 850 são efectivos. Mas nem estes têm o lugar seguro, avisa João Abreu. "A administração tem exercido pressão para 'venderem' o posto de trabalho através da rescisão por mútuo acordo. E estão a propor apenas um mês por cada ano de trabalho", denuncia o dirigente comunista, que fala em ordenados mínimos de 500 euros em Mangualde, contra os 1.100 dos trabalhadores da Citroen em Vigo, Espanha. Outra "guerra" que fervilha no interior da empresa, denunciada pelos sindicatos e pelo PCP, tem a ver com o "banco de horas" acordado entre a empresa e a comissão de trabalhadores. "Foi uma pseudo-comissão que assinou esse acordo, um acordo que obrigará depois ao trabalho aos sábados, domingos e feriados, com salários pagos a valores de horas normais de trabalho", critica Abreu, que exorta os trabalhadores a não aceitarem o 'negócio' que "destitui direitos conquistados e consignados nas leis laborais". Por isso "o Grupo Parlamentar do PCP na Assembleia da República vai de imediato apresentar um requerimento ao ministro da Economia, questionando-o sobre este procedimento ilegal da administração da PSA/Peugeot-Citroen de Mangualde", empresa que tem compromissos com o Estado português e a União Europeia, "porque recebeu do governo, em 2007, 8,6 milhões de euros para criar mais 80 postos de trabalho acima dos 1226, obrigando a manter a laboração até 2013", lembra João Abreu. O JN tentou mas não conseguiu obter uma reacção da administração da empresa.