Melchior Moreira apresenta-se como o candidato consensual à liderança da futura Entidade Regional de Turismo do Norte. Presidente da Comissão Instaladora do futuro organismo e deputado do PSD à Assembleia da República (eleito pelo círculo de Viseu), completará 45 anos em Janeiro próximo, altura em que decorrerá o acto eleitoral (dia 9) para a futura estrutura do turismo nortenho, organismo que ocupará, então, o lugar deixado por seis regiões de turismo, estruturas essas que, garante, "não tinham dimensão".
Mostrou-se contrário à reestruturação operada no turismo, por não incluir, no caso do Norte, o pólo do Douro, mas concordou com ela.
O anterior modelo era mais direccionado para o turismo local, tendo sido modelo com resultados, acima de tudo, positivos. Mas as anteriores regiões não tinham escala, existindo, ainda um problema legislativo, que levava a que nem todos os concelhos estivessem cobertos por regiões de turismo. Este novo modelo vem dar resposta a essas duas questões. Foi proposta que sempre defendi: mais escala, mais massa crítica e cobertura total do país. Porém, discordo apenas do número de regiões. No anterior modelo existiam 19 e agora são 11. O que sempre defendi foram as cinco grandes áreas regionais, o que leva a que este modelo seja uma meia-reforma. Cria cinco grandes entidades de turismo (que correspondem às NUT II) e mais seis pólos turísticos, pólos estes que estão condicionados no tempo, até 2015. A meu ver, deviam estar integrados dentro das cinco grandes entidades regionais.
Continua a defender essa integração?
Sim. O futuro nos dirá que tal será inevitável. Dos 19 concelhos que integram esse pólo, uma dezena aprovou, também, a sua integração na Entidade Regional do Norte. O que defendo é uma integração clara entre o pólo do Douro e a Entidade do Norte e é esse o desafio que vou lançar a quem vier a presidir a essa estrutura, para que existam políticas complementares.
Como está a decorrer o processo de criação da futura entidade?
As coisas estão a passar-se muito bem. Estamos agora na fase da adesão dos municípios à Entidade Regional. Actualmente, perto de 70 autarquias de toda a região aprovaram já a sua adesão ao futuro organismo, sendo que, destas, 10 pertencem ao pólo Douro.
E podem participar nas duas estruturas?
Não existe nenhum entrave à participação dos municípios nas duas estruturas. A minha leitura é que, futuramente, esses concelhos poderão tomar parte nas duas assembleias gerais.
Tem conhecimento de algum problema relacionado com a adesão dos municípios?
Até ao momento, não tenho nenhuma indicação nesse sentido. O que alguns autarcas colocam é a questão da quota a pagar na futura entidade, o que, para mim, não se apresenta como questão. Nesse sentido, a minha proposta para as autarquias é de um valor simbólico: de mil euros por ano, verba essa que será destinada a campanhas de promoção da futura estrutura regional.
Estruturas regionais de turismo há que já estão constituídas. Houve algum atraso em relação à constituição dos órgãos da Entidade do Norte?
Não houve nenhum atraso. As eleições poderiam inclusivamente já ter tido lugar. Contudo, foi por nós entendido que a participação dos municípios na futura estrutura é extremamente importante, daí termos decidido prolongar o prazo (de adesão das autarquias) até finais deste ano.
As eleições têm já data marcada?
Sim, deverão ter lugar a 9 de Janeiro, altura em que teremos a adesão de todos os concelhos confirmada. No passado dia 13, aprovámos, em reunião realizada em Chaves, o regulamento eleitoral, devendo as eleições realizar-se na sede da entidade regional, em Viana do Castelo.
Assumiu, já, a sua candidatura à liderança da futura estrutura. Além da sua lista, perfilam-se mais candidatos?
Eu penso que não. Mas este é um espaço livre e democrático e qualquer candidatura será bem-vinda e terá a colaboração da comissão instaladora de modo a poder formalizar a sua proposta. Mas, pelos contactos que temos feito, não se vislumbra nenhuma outra candidatura, além da minha disponibilidade para avançar.
Prevê alguma reestruturação ao nível dos recursos humanos das extintas regiões de turismo?
No início do mandato (à frente da comissão instaladora), fui às antigas regiões falar com todos os funcionários, para deixar-lhes um capital de esperança e, acima de tudo, de competitividade. Pedi-lhes que se empenhassem no processo. Embora a lei fale em mobilidade, aproveito esta oportunidade para dizer que contarei com todos, para tornar a região mais competitiva. Quero com isto dizer de uma forma muito clara que conto com todos os activos de todas as antigas regiões de turismo. O desafio que fiz aos funcionários foi a competitividade e elegi a formação como prioridade absoluta.
Autarcas houve que se manifestaram preocupados com o possível desaparecimento de programas que eram dinamizados pelas antigas regiões, caso dos "Domingos Gastronómicos", da Região de Turismo do Alto Minho. Propostas como esta são para manter?
Há propostas de qualidade, com um trabalho feito ao longo de vários anos, que não podem, de modo algum, ser postas de parte. É minha intenção aproveitar alguns desses programas e dar-lhes dimensão. Além de manter o programa dos Domingos Gastronómicos, pretendemos criar uma grande feira de gastronomia. Essa é uma das nossas apostas, a de trazer para a sede da região (em Viana do Castelo) a primeira grande feira gastronómica de Portugal e associá-la à excelência dos vinhos que temos. Do Douro ao Minho.
É uma das principais apostas do futuro organismo?
Sim, podemos dizer que é. Mas todas eles pretendem contribuir para o principal objectivo do futuro organismo, que é o de colocar o Norte entre os três maiores destinos do país. Num lugar do pódio que é, actualmente, ocupado por Lisboa, Algarve e Madeira. E posso garantir que temos tudo para isso.
Que outros projectos reserva a Entidade Regional de Turismo do Norte?
Em mente temos a realização de um evento que se apresenta como uma completa novidade na área da promoção do desporto e lazer: um mundialito de futsal nos espaços do Castelo de Santiago da Barra, em Viana do Castelo. Trata-se de realização que estamos a estudar, com a respectiva federação.
Fonte: Luís Henrique Oliveira, Jornal de Notícias