A Câmara de Viseu só os quer a dar luz, mas se quisesse mais a EDP não deixava. Os candeeiros estão preparados também para difundir música, internet sem fios e adaptados para videovigilância. O fabricante critica a EDP.
Duas dezenas de candeeiros, feitos em ferro fundido, vão começar a ser instalados, durante esta semana, na zona do Rossio e na Rua da Paz, em pleno centro histórico da cidade de Viseu, substituindo os velhos, que já têm quase 30 anos e não debitam luz com a intensidade adequada.
Os novos candeeiros enquadram-se no espaço urbano e garantem níveis de luminosidade elevados. Mas não só. Estão preparados para difundir música, internet sem fios (wireless) e adaptados para sistemas de video-vigilância.
A autarquia só os quer a dar luz. Mas se os quisesse com o equipamento completo, ou só a difundir música, a EDP não deixava.
"Implica uma dupla alimentação. Estamos a estudar uma solução técnica para a apresentar à tutela", justificou Maria Antónia, do gabinete de relações públicas da EDP, em Lisboa.
"É uma desculpa esfarrapada, vergonhosa", critica António Barreira, sócio-gerente da Citac e da Ermax, as empresas que produzem os candeeiros em Portugal.
"Se a EDP vê alguma irregularidade que vá contra as normas de segurança, que o diga, porque estamos conscientes que haverá sempre uma solução", afirma a o empresário, que tem exportado este modelo de candeeiro para vários países da Europa e da América do Sul, "onde não levantam qualquer tipo de restrições".
"Agora, até Angola os quer. Quer instalá-los na Baía de Luanda", sublinha o empresário, que tem mantido contactos com responsáveis do governo provincial de Luanda.
"E Viseu é responsável pelo interesse manifestado por Angola", revela António Barreira.
O interesse terá começado quando um arquitecto viu, o ano passado, um candeeiro destes que esteve à experiência no Rossio, em frente aos Paços do Concelho. "Gostou tanto dele e das suas potencialidades, que resolveu falar nisso ao governo de Luanda. Estamos em negociações", lembra.
A instalação dos 20 candeeiros no Rossio e na Rua da Paz, em Viseu, será da responsabilidade da Visotela, a empresa que ganhou o concurso público lançado pela autarquia. Custa cada um cerca de cinco mil euros.
Os novos equipamentos inserem-se no programa de obras de requalificação que vai ser implementado no Rossio, e que prevê uma série de alterações ao nível estético, em especial no mobiliário urbano.
Fonte: Rui Bondoso, Jornal de Notícias