Patos, ovelhas e galinhas. E pessoas também. Ninguém escapa à ira dos cães vadios, nas imediações de Canas de Senhorim. A matilha não faz distinções, ataca tudo e todos. Já há queixas na GNR.
Duas dezenas de patos foram atacados, a semana passada, por uma matilha de cães vadios. Entraram pela quinta de Serafim Alves Santos, nos arredores de Canas de Senhorim, e atiraram-se aos animais. Só cinco sobreviveram.
Anteontem, o mesmo grupo de cães matou uma ovelha e feriu outras duas.
Novamente na quinta de Serafim Santos, que dias antes estivera cercado na estrada por cinco daqueles canídeos.
"Um deles era enorme, mas consegui afugentá-los a todos", lembra o proprietário da quinta, que saiu ileso da fúria dos cães e que já foi duas vezes à GNR apresentar queixa.
Pior sorte que Serafim teve uma sua vizinha, que foi atacada e mordida.
"Isto tem de acabar. Não podemos andar aqui sobressaltados e a sofrer prejuízos", avisa o homem, de 76 anos, aposentado, e que agora se dedica mais à agricultura e à criação de animais. Quase tudo para sustento próprio da família. Só uma pequena parte do que produz na quinta, é para comercializar.
"Eles tratam a quinta com todo o carinho, passam aqui a maior parte do dia. Mas depois vêm os cães e causam-lhes estes prejuízos, estes danos todos. Ainda há dias gastaram 50 euros no tratamento de uma ovelha que tinha sido atacada e ferida pela matilha", recorda Aires dos Santos, filho de Serafim, que exige respostas da autarquia "ou de quem quer que seja".
Instada sobre o ataque de cães a animais e a pessoas, a Câmara Municipal de Nelas alega desconhecimento oficial. Assegura que nunca chegaram aos serviços quaisquer queixas sobre estas ocorrências.
"Oficialmente não sabemos de nada", garante Manuel Marques, vereador da autarquia.
O edil afirma que a câmara tem um canil "improvisado", e que os serviços actuam sempre que chegam as queixas. "É o que faremos logo que isso aconteça no caso de Canas de Senhorim", refere, lembrando que o serviço é da responsabilidade do veterinário municipal.
"Os cães são recolhidos na rua e depois vão para o canil, onde são tratados convenientemente. Ficam lá uns dias até que apareça alguém a reclamá-los. Quando isso não acontece, são abatidos decorrido um tempo", lembra Manuel Marques.
Fonte: Rui Bondoso, Jornal de Notícias