Os empresários de Viseu querem ter a "sua" universidade. O modelo, apresentado ontem, já foi aprovado pelo ministro do Ensino Superior. É um conceito em que as empresas serão os laboratórios da instituição.
A Associação Empresarial da Região de Viseu (AIRV) quer criar na capital de distrito uma universidade semipública, em que as empresas participam na gestão, na definição de prioridades de formação e na investigação aplicada. As empresas serão os laboratórios da Universidade, que, por isso, não precisará de tijolos para a edificação de um espaço físico.
É mais uma tentativa de criar em Viseu uma instituição de Ensino Superior universitário, depois de vários falhanços nas últimas décadas (ver caixa).
O projecto da Universidade Empresarial das Beiras (UEB), no qual aparece envolvido também o Instituto Politécnico de Viseu, foi anunciado ontem, durante um congresso que juntou mais de duas centenas de empresários da região de Viseu, dedicado ao tema "Reforçar a competitividade".
O conceito da instituição já mereceu a apreciação positiva do ministro da Ciência e Ensino Superior Mariano Gago. "Ele louvou a atitude das empresas, considerando que o modelo proposto se adequa totalmente à legislação actual. Vamos agora trabalhar nos detalhes", afirmou João Cotta, presidente da AIRV, que vai propor a criação de uma Plataforma Empresarial para a Ciência, Tecnologia e Inovação "para começarmos a trabalhar juntos com o ensino superior e ganharmos hábitos de trabalho em conjunto".
O dirigente considera que a UEB "procurará a excelência e a diferenciação" e que terá "vantagens inesgotáveis". Porquê? "Porque é um modelo oriundo da sociedade civil, logo, de quem necessita e procura, e porque a liderança e a origem estão nas empresas", responde.
Sublinha ainda que o conceito "é excelente para o ensino superior local, já que a abertura às empresas seria total, com evidentes benefícios na motivação dos seus professores, na produção de conhecimento e na investigação aplicada", e que "seria ainda um factor de atracção de alunos, motivados pela inovação e ligação às empresas". As empresas também ganhariam "pois seria criado um fluxo constante de conhecimento e de mão-de-obra qualificada". Tal como ganharia a região "já que seria um factor extraordinário de captação de investimento interno e externo, de fixação de pessoas e de criação de riqueza".
O empresário enfatiza ainda a mais-valia do projecto para o o país "pela racionalização de meios, pela capacidade potencial de exportação de tecnologia com elevado grau de conhecimento".
Fonte: Rui Bondoso, Jornal de Notícias