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Proibição no fim-de-semana gerou manifestação de desagrado

 Piaget de Viseu permite praxe dentro das instalações, após protesto dos alunos
 Proibição no fim-de-semana gerou manifestação de desagrado  
A direcção do Campus Universitário de Viseu do Instituto Piaget permitiu hoje a continuidade da praxe académica dentro das suas instalações, depois de os alunos terem garantido que não serão cometidos excessos.
Os alunos foram avisados durante o fim-de-semana de que este ano lectivo não seriam permitidas praxes dentro do Campus Universitário, no âmbito de uma orientação nacional do Instituto Piaget.
Inconformados, cerca de 30 alunos envergando o traje académico e alguns caloiros concentraram-se hoje de manhã junto aos portões do instituto, no Alto do Gaio, aproveitando a abertura do ano lectivo, mas a manifestação acabou pouco depois, na sequência de uma reunião com a direcção.
"Apresentámos o plano de actividades do ano passado e deste ano e como nunca houve queixas aqui dissemos que queríamos poder usufruir do espaço. Responderam que confiam em nós e que podemos continuar", contou aos jornalistas a presidente da Comissão de Tradições Académicas, Marisa Andrade.
Também a presidente da Associação de Estudantes do Instituto Superior de Estudos Interculturais e Transdisciplinares, Inês Ferreira, ficou satisfeita por a direcção ter percebido quais os motivos que levavam os alunos a discordarem que lhes fosse proibida a praxe dentro do Campus.
Inês Ferreira explicou que a praxe praticada em Viseu tem sempre como objectivo a integração dos caloiros, "para se sentirem acolhidos e para se divertirem".
As praxes mais habituais são "aulas fantasma", nas quais um aluno se faz passar por professor, obrigar os caloiros a cantarem ou a fazerem de bomba, atirando-se para o chão, contou.
Contente com a decisão estava a caloira Ana Catarina, do curso de Psicologia, que admitiu que ficaria triste se não fosse praxada.
"A praxe é uma forma de integração. Se não houvesse praxe só iria conhecer a minha turma. O resto das pessoas, cada um ia à sua vida", afirmou à Agência Lusa.
A caloira disse ser defensora da praxe tal como ouviu dizer que ela se pratica no Campus Universitário de Viseu, "com todo o respeito".
Françoise Cruz, da direcção do Campus Universitário de Viseu do Instituto Piaget, afirmou aos jornalistas que também só teve conhecimento desta decisão ao final do dia de sexta-feira, tendo de imediato havido a preocupação de avisar os alunos.
Explicou que a directriz de âmbito nacional teve em conta as palavras do director-geral do Ensino Superior sobre a praxe e também o facto de, no passado, ter havido um incidente em Macedo de Cavaleiros que levou uma aluna a colocar o Instituto Piaget em tribunal.
Apesar de o Piaget ter saído ilibado do processo, tem estado todos os anos atento "a que não haja alteração ao regulamento da praxe" e assim evitar um caso idêntico aprovado em Março de 2003, frisou.
Françoise Cruz acrescentou que, como em Viseu "nunca aconteceram incidentes graves", a direcção chegou a uma "plataforma de entendimento" com os alunos.
"Analisámos o 'plano de batalha' (plano de actividades) dos alunos e achámos que o que eles têm previsto realizar nas nossas instalações se pode manter", acrescentou.
A Carta de Princípios Orientadores das Praxes nas Academias Piaget consagra princípios como o "respeito pela dignidade universal" e do "direito à diferença e, com ele, o da livre opção de cada estudante relativamente ao exercício da praxe".

Fonte: O Público

 


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