Uma providência cautelar interposta por moradores de Cambarinho travou a obra de construção de uma variante. Com o processo bloqueado, a autarquia corre o risco de perder a maior parte da comparticipação comunitária.
A Câmara de Vouzela corre o perigo de perder parte significativa do financiamento comunitário (1,5 milhões de euros) para a construção da variante de Cambarinho, orçada em três milhões. Tudo porque oito proprietários de terrenos não aceitaram as indemnizações propostas pela autarquia, e avançaram com uma providência cautelar em tribunal, que travou a continuidade da obra, na área pertencente a Cambarinho.
Para desbloquear o processo, a Câmara contrapôs com a posse administrativa dos terrenos, mas a decisão judicial ainda não foi tomada, e o prazo que a autarquia tem para dar a obra como executada acaba a 30 de Novembro.
"Eles só pagam o que estiver feito até aquele dia, o resto volta para Bruxelas", afirma Telmo Antunes, presidente da Câmara de Vouzela, esperançado que a posse administrativa possa acontecer em breve.
"Quando tivermos ordem para avançar com a obra, vou pedir ao empreiteiro para, se puder, trabalhar noite e dia. Tentaremos recuperar algum tempo, fazendo o máximo possível até dia 30 de Novembro, para que não se perca a totalidade da comparticipação financeira", explica o autarca, que critica a postura dos proprietários de terrenos que travaram a construção da variante de Cambarinho.
"É lamentável que um grupo tão restrito de oito pessoas esteja a pôr em causa uma obra tão importante para o desenvolvimento do concelho", desabafa Telmo Antunes, lembrando que conseguiu chegar a um entendimento com 88 proprietários, "só com estes é que não".
O JN não conseguiu, ontem, falar com nenhum dos oito contestatários, mas há um ano, no auge da contenda, o presidente da Associação de Defesa dos Interesses de Cambarinho, Fernando Cardoso, manifestava-se a favor da variante, "mas com outro traçado".
"Tal como está projectada, vai destruir os principais terrenos de lavoura, as terras mais férteis, arrasar poços de água, cortar quintais e dificultar a travessia dos proprietários, seus animais e alfaias", protestava Graça Marto, outra moradora que discorda do traçado.
A variante, de dois quilómetros de extensão, vai ligar a povoação de Cambarinho à zona industrial de Campia.
Só na área pertencente a Campia é que foi possível abrir caminho para a sua construção, porque aí houve entendimento com os proprietários dos terrenos.
Texto:Rui Bondoso
Fonte: Jornal de Notícias