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Só há quatro produtores de maçã na aldeia-berço

 Em Esmolfe decorre a feira de promoção ao fruto
 
Há terrenos ao abandono em Esmolfe, a aldeia que deu nome à maçã bravo, germinada pela primeira vez há 200 anos, ao que consta, resultado involuntário de uma alteração genética numa macieira.
Na aldeia de Esmolfe, Penalva de Castelo, onde há dois séculos germinou a primeira macieira brava que deu origem à maçã bravo de Esmolfe, só restam quatro produtores desta variedade de fruto. E terrenos para a plantação de pomares não faltam.
"Há muita terra abandonada, e terra com excelente aptidão para a 'nossa' maçã", lamenta o presidente da Junta de Freguesia, Abel Marques, que é um dos quatro produtores de maçã, por sinal o maior.
Tem um pomar com 3,5 hectares de área, que produziu o ano passado 70 toneladas de maçã, 25 das quais bravo de Esmolfe, que é considerada pelos especialistas a mais aromática e mais perfumada maçã do mundo.
"A população da freguesia envelheceu e os novos emigraram ou dedicaram-se a outros trabalhos. Há também por aqui uma série de pedreiras que absorvem alguma mão-de-obra. Tudo somado resulta no tal abandono das terras", explica o autarca, que hoje, em parceria com a Câmara Municipal de Penalva do Castelo e a FELBA, empresa de promoção de frutas e legumes da Beira Alta, organiza na sede de freguesia a 13ª edição da Feira da Maçã Bravo de Esmolfe.
O certame contará com cerca de três dezenas de produtores de maçã, oriundos da região demarcada, que se estende por 32 concelhos, a maioria do distrito de Viseu, mas também da Guarda, Coimbra e Castelo Branco.
O presidente da Câmara de Penalva do Castelo, Leonídio Monteiro, considera "indispensáveis" todas as iniciativas tendentes à promoção da maçã bravo de Esmolfe, porque "ainda há em Portugal quem não conheça a rainha de todas as maçãs".
"Temos de fazer tudo para acabar com esta ignorância. Ainda a semana passada estive com pessoas que desconheciam a existência da maçã bravo de Esmolfe. E tudo numa altura em que estudos científicos recentes vierem comprovar as suas características anti-cancerígenas", sublinha o autarca, que lançou críticas contra algumas grandes superfícies, que vendem 'gato por lebre'.
"Vejo maçã à venda, rotulada de brava de Esmolfe, mas que na verdade não é. Isto prejudica a imagem da verdadeira e genuína maçã. Ainda há tempos vi uma autêntica heresia: maçã bravo de Esmolfe, mas produzida em Portalegre. Ora, Portalegre não faz parte da região demarcada. Felizmente que as autoridades certificadoras acabaram com isso, proibindo a utilização do nome", lembrou Leonídio Monteiro, que exige mais fiscalização ao circuito comercialização.

Autor: Rui Bondoso
Fonte: Jornal de Notícias

 


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