Ora, o Instituto Português de Sangue (IPS) deslocou ontem a Viseu, uma unidade móvel, para que os viseenses ajudassem outras pessoas, que necessitam muito de sangue.
Se, da parte de manhã, não foram poucas as presenças em frente ao Palácio do Gelo, onde se encontrava parada a referida unidade móvel, a verdade é que, da parte da tarde, foram aparecendo pessoas, como se uma corrente de solidariedade as juntasse.
O Diário de Viseu, como não podia deixar de acontecer, esteve presente e falou com pessoas antes, durante e depois de darem sangue. O médico presente deu-nos indicações sobre o acto de dar sangue e uma administrativa apontou os procedimentos.
Jovens e menos jovens cumpriram o seu dever cívico. A maioria dos dadores foram mulheres, talvez mais sensibilizadas para esta problemática. Ou será que são mais altruístas?
"Estamos perante um gesto praticamente inócuo"
Especialista de Medicina Interna, Alberto Lourenço tirou um pouco do seu tempo para falar connosco acerca do gesto de dar sangue, quer do ponto de vista cívico, quer médico, desvanecendo algumas dúvidas.
"Para já, ainda não existe outra forma de resolver o problema da falta de sangue, que não seja a dádiva", começou por dizer ao nosso Jornal o médico, que se referiu de imediato ao "gesto cívico e de solidariedade" que é ser dador, pelo menos uma vez na vida.
Alberto Lourenço esclareceu que se uma pessoa não sofrer de uma patologia inibidora, devia ajudar quem precisa, porque nunca se sabe quando seremos nós a necessitar de auxílio.
O especialista, dirigindo-se a quem tem receio de dar sangue, referiu que o acto é "praticamente inócuo, tratando-se de um produto que só nós fabricamos", daí a sua importância.
Explicou, para tirar dúvidas: "uma pessoa que deseje dar sangue é vista por um médico, sendo-lhe feito um exame sumário, que inclui a medição da tensão arterial e a verificação do estado da hemoglobina. Além de responder a um questionário".
Convidado a comentar a crença popular de que uma pessoa sanguínea deve dar sangue, Alberto Lourenço sublinhou que as coisas não são assim tão simples, pois o facto de se ser sanguíneo pode indicar uma patologia que impeça a dádiva. "É por isso que estamos cá!"
Enquanto os enfermeiros Humberto e Maria José se desdobravam na tarefa de espetar a agulha nos braços de quem ia dar sangue, sempre com um sorriso nos lábios, o clínico repetiu, acentuando a ideia anterior: "Estamos perante um gesto praticamente inócuo!"
Poucos… mas bons marcaram presença
Apesar de terem sido poucas as pessoas que aparecerem para cumprir o gesto cívico e solidário de darem sangue, houve quem não deixasse esta questão de consciência para outros, apresentando-se à chamada. Fosse ou não a primeira vez
Célia Mendes foi a primeira vez que deu sangue e com um ar descontraído foi dizendo que não se "nota nada", acrescentando, com convicção: "Não custa, nem dói nada!"
A jovem acentuou que todos precisamos uns dos outros e que os hospitais têm falta de sangue. Daí que tenha decidido avançar com este gesto altruísta.
Marisa Ferreira é dadora desde o tempo da escola e fez questão de estar presente na recolha de sangue. "Já o faço desde 2003", revelou a jovem, enquanto esperava para ser chamada ao gabinete do médico.
"Trata-se de uma forma de ajudar os outros", referiu esta portadora do tipo de sangue 'O RH+'. Pouco depois, subiu para a unidade móvel do Instituto Português de Sangue (IPS), para ser avaliada pelo clínico de serviço.
Após cinco anos sem dar sangue, Marco Gomes ('AB RH-'), que também estava à espera que o chamassem, frisou ter aproveitado a oportunidade para cumprir o seu dever cívico: "Vi aqui o autocarro e decidi dar a minha modesta contribuição, não vá alguém necessitar de um pouco de sangue!"
Dentro da unidade móvel do IPS , além de Célia Mendes, fomos encontrar Nuno Amaral ('A+), já depois de ter dado sangue: "É a segunda vez que o faço", sublinhou, adiantando ser esse o "dever de toda a gente". E apontou: "É um modo de auxiliar quem precisa!"
Questionado sobre se custava dar sangue, respondeu negativamente: "Isto não custa mesmo nada. Importante é estar-se predisposto a ajudar os outros, porque também nos ajudamos a nós próprios!" Querendo nós saber como se sentia, sorriu e disse: "Estamos bem!"
Rosa Pereira ('O RH+') já tinha igualmente dado sangue, pelo que não faltou a este encontro. "Gosto de ajudar e este gesto é tão fácil de concretizar, por que não fazê-lo?", interrogou a jovem.
Como acontece com quase todas as pessoas, referiu que da primeira vez teve receio, mas "depois tudo passa", garantiu. Enquanto estava a dar sangue, apontou: "É só uma picadela, não custa mesmo nada, podem acreditar!"
Também falámos com um agente da autoridade, que também quis dar o seu contributo. O agente principal da Polícia de Segurança Pública (PSP) Quelho Martins (O RH+) foi um exemplo. "Sou dador, embora não faça isto muitas vezes, mas quando é necessário…"
Avançou: "Faço-o com gosto, porque é para ajudar quem precisa. Além disso, nunca se sabe quando precisamos dos outros!"
Fonte: Diário de Viseu