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Sub-região de saúde quer oculistas fora das escolas

 A Sub-Região de Saúde de Viseu defende que os rastreios à visão, particularmente nas escolas, devem ser realizados por oftalmologistas. Estabelecimentos de ensino aconselhados a "ponderar bem" propostas comerciais.
 
Uma "doença grave" nos olhos foi detectada a uma criança, no Hospital Cândido de Figueiredo, em Tondela, pela equipa que desde Fevereiro está a realizar rastreios à visão a miúdos entre os quatro e os seis anos de idade. O menor a quem foi diagnosticada a doença, não especificada pelos serviços, tinha sido dada como "saudável", alguns dias antes, por uma empresa óptica que esteve a despistar problemas de visão numa escola de Tondela. O JN apurou, junto de fonte médica, que o caso foi comunicado pela família do menor e pela equipa de Oftalmologia do Hospital de Tondela, entre outras entidades, à Direcção-Geral de Saúde.
"As ópticas e os optometristas podem fazer rastreios à visão onde quiserem. Menos nas escolas. Há doenças da visão que, se não foram diagnosticadas até aos seis anos de idade, nunca mais serão corrigidas. Daí que um exame feito sem a presença de um oftalmologista, possa, mesmo sem intenção, branquear problemas sérios", declarou um especialista de Viseu, que não quis ser identificado.
O presidente do Conselho de Administração do Hospital Cândido de Figueiredo (também director clínico do S. Teotónio, em Viseu), Cílio Correia, embora defenda que "os cidadãos que se sintam lesados devem recorrer às organizações de defesa do consumidor", reconhece que "os rastreios realizados por oculistas que não estejam ancorados em oftalmologistas podem servir apenas aspectos comerciais".
Cílio adianta que desde Fevereiro, altura em que começaram a ser realizados rastreios à visão em Tondela, Carregal do Sal e Santa Comba Dão (área de influência do Hospital Cândido de Figueiredo), já foram consultadas 200 crianças "tendo sido detectadas algumas patologias sérias".
O coordenador da sub-região de Saúde de Viseu, José Carlos Almeida, é peremptório quando afirma "não autorizar rastreios à visão feitos por entidades com fins comerciais". "Sempre fui desfavorável, mas agora o caso tomou proporções alarmantes. Os rastreios visuais, sobretudo em crianças, têm de ser acompanhados por oftalmologistas. Por uma razão simples: os problemas detectados podem não ter a ver com lentes mas com patologias médicas", diz ao JN.
A opinião é partilhada por João Carlos Figueiredo, presidente da Junta de Canas de Santa Maria, Tondela, que desde 2006 rejeita todos os pedidos que lhe chegam das empresas ópticas. "Não autorizo rastreios a crianças e idosos. As empresas fazem o seu papel, mas os munícipes têm direito à livre escolha".
Manuel Silva, vice-presidente do Agrupamento de Escolas de Tondela, disse ao JN que deixarão de aceitar exames gratuitos oferecidos pelas ópticas. "Agora que o hospital está a fazer esse trabalho, não fazia sentido duplicar iniciativas", refere.
O presidente da Associação de Profissionais Licenciados de Optometria (APLO), Eduardo Teixeira, avisa que a maioria das ópticas vai às escolas "sem oftalmologistas e optometristas, é bom que isso fique claro, pois há quem queira confundir as coisas".

Texto: Teresa Cardoso
Fonte: Jornal de Notícias

 


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