Quatro volumes concentrados numa só obra de A. Oliveira Cruz, foram apresentados na sessão que marcou o arranque das comemorações dos 30 anos do Instituto Piaget. Uma obra que compila os 36 títulos, dos quatro volumes escritos ao longo da vida, em 1800 páginas.
António Oliveira Cruz, presidente e fundador da instituição, demarca-se de A. Oliveira Cruz e, diz mesmo que não compreende o que está ali escrito e que não foi ele. "Eu nunca conseguiria escrever aquilo, é muito bonito para ter sido eu a escrever. Alguém o escreveu por mim", afirma.
António Oliveira Cruz adianta que escreve desde os 13 anos e, lamenta, "não ter guardado nenhum dos poemas escritos na altura". "Até aos 13 anos, não tinha lido poesia, entretanto, frequentava o seminário, na altura, e como estava farto de não fazer nada, pedi que me colocassem a trabalhar, se não viria embora.
Mandaram-me para a biblioteca e, foi aí, que li a primeira poesia, de S. João da Cruz e percebi: mas eu faço uma coisa parecida com esta!", lembra.
Oliveira Cruz admite que "nunca" estudou linguística e "todas as palavras que foram escritas nunca foram consultadas no dicionário". "Nunca consultei nada, quando estou a escrever, sai-me tudo de seguida, nem penso", considera.
A obra educativa é o melhor poema
Almeida Santos, o antigo presidente da Assembleia da República, presidiu à cerimónia e deixou claro que "a obra educativa e pedagógica é o seu melhor poema".
Depois da directora do Instituto Piaget de Viseu, Françoise Cruz, ter revelado que "a instituição nasceu com um capital social de 10 contos, actualmente 50 euros, e com uma enorme vontade de fazer nascer um sonho", Almeida Santos comparou o dinheiro ao grão de mostarda e o actual património do instituto, como a mostardeira.
Almeida Santos foi descrevendo o que o Piaget tem crescido ao longo dos 30 anos e elogiou o facto de ter nascido logo como uma cooperativa e ter o nome de Cooperativa para o Desenvolvimento Humano, Integral e Ecológico. "Só alguém que pense muito à frente é que cria uma cooperativa a pensar em tudo isto, há 30 anos", refere .
Em Portugal, o Piaget conta com sete pólos universitários e, também, em alguns países como Moçambique, Cabo Verde e Angola. Almeida Santos adianta que "em breve, nascerão universidades em Moçambique, Macau e Timor". "Só um homem como António Oliveira Cruz é que consegue, a partir de dez contos, edificar todo este património".
"O ministro das Finanças deveria conversar com Oliveira Cruz"
"O ministro das Finanças deveria perguntar a este homem como é que se conseguem as receitas e se gere todo este património", acrescentou Almeida Santos. "Porque é que o ministro não lhe pergunta? Acho que deveriam conversar os dois", desafiou, provocando algumas gargalhadas nos convidados. Almeida Santos adiantou que sabe que "os professores ganham mal, mas ainda assim não se afastam da instituição, talvez pela mística do seu presidente". "Também sabemos que ele não veste bem, anda sempre assim, com esta simplicidade, será também por isso", gracejou o ex presidente da Assembleia da República.
Críticas ao Governo
Em jeito de remate na sua intervenção, Almeida Santos avisou que não podia "dizer mal do Governo, só um bocadinho", até porque ainda é presidente do PS, mas não deixou de o atacar quando se referiu à falta de aprovação do curso de Medicina, que o Piaget desejava.
"Este homem, quando pensa numa valência, constrói de imediato o edifício para ela, cria laboratórios novos e modernos e, depois, o Governo não lhe aprova o curso, pelo contrário, para corrigir o défice de médicos, baixa a média duas a três décimas.
É uma boa ajuda. Espanta-me é, como é que não tem noção do ridículo. O lóbi dos médicos é tão forte que todas as profissões que queiram progredir, têm que aprender com esse lóbi", refere Almeida Santos.
Fonte: Diário de Viseu