Fogo, fumo e trabalhadores em desespero. Um cenário dantesco que se repetiu, este sábado, dois anos depois do primeiro incêndio que arrasou a Bogstena. Quatro bombeiros e dois funcionários da empresa sofreram intoxicações.
Ardeu a primeira vez na manhã de 7 de Junho de 2006, mas reergueu-se das cinzas 15 meses depois. Ainda mais pujante. Ontem, porém, um ano depois de reinaugurada pelo ministro da Economia, um incêndio voltou a acabrunhar a Borgstena, uma fábrica sueca de componentes de tecidos para automóveis, situada na Estrada Nacional 234, entre Nelas e Canas de Senhorim.
O fogo, que terá sido causado por um curto-circuito ou por um cigarro aceso, destruiu-lhe parte substancial do pavilhão fabril e consumiu-lhe quase todas as encomendas: produto acabado e pronto para seguir para as fábricas de automóveis (Volvo e Renault, em especial).
Também toneladas de matéria-prima ficaram reduzidas a cinza no meio das chamas e do fumo tóxico, que quatro bombeiros e dois funcionários da empresa inalaram, tendo que ser socorridos e transferidos para o Centro de Saúde de Nelas.
Só os escritórios da unidade industrial não foram atingidos pela violência do fogo, permitindo salvar computadores e outros equipamentos. Os prejuízos são superiores a 10 milhões de euros.
O incêndio lavrou durante três horas e teve início no sector onde estavam armazenadas a espuma. Só depois do meio-dia estava dominado pelos 196 bombeiros de 17 corporações, auxiliados por 69 viaturas. As operações de rescaldo e vigilância duraram o dia todo.
No combate ao fogo, algumas bocas-de-incêndio da fábrica não deitavam água. "Não eram todas, mas algumas estavam secas", confirma João Coelho, comandante dos bombeiros voluntários de Nelas, referindo ainda que o alarme "também não funcionou em todo o edifício industrial".
A tragédia põe em causa o futuro dos 320 trabalhadores da Borgstena. Pese embora, ontem, a presidente da Câmara de Nelas, Isaura Pedro, tenha manifestado esperança em que a laboração possa ser retomada já amanhã.
"No meio desta desgraça, há uma boa notícia: conseguiu salvar-se alguma matéria-prima e algumas máquinas de teares. Há um pavilhão de uma antiga fábrica, ao lado, já disponível para que volte a laborar na segunda-feira", disse a autarca, não especificando quantos trabalhadores ficarão de fora. "O importante é que começe a laborar", sublinhou.
Texto: Rui Bondoso
Fonte: Jornal de Notícias