O presidente da Câmara de Viseu, Fernando Ruas, quer saber onde estão os achados arqueológicos resultantes de todas as escavações feitas na cidade. "Nunca perguntei por eles, mas acho que chegou a hora de saber onde param", afirmou o autarca, que pretende avançar, a prazo, com a criação do Museu da História da Cidade, cujo projecto está a ser estudado por uma 'comissão de sábios'.
Ruas lembra que todas as obras feitas no Centro Histórico, "têm sido acompanhadas pelos arqueólogos". E que em quase todas elas tem ouvido falar em "relevantes descobertas".
"Eu nunca as vi, mas é preciso saber onde estão", sublinha, sem contudo pôr em causa o paradeiro dos achados. "Parto do princípio que devem estar por aí bem guardados", diz, acrescentando que a Câmara já gastou "uma pequena fortuna" com as escavações até hoje realizadas.
O autarca admite desconhecer a legislação que regula a propriedade dos vestígios encontrados pelos arqueólogos, mas considera que a lei deve ao menos prever que esse espólio permaneça nas localidades onde foi encontrado.
"É que já ouvi dizer que uns achados de Viseu foram para Conímbriga para ser catalogados, e não sei se já regressaram", lembra Fernando Ruas.
Pedro Sobral, arqueólogo e sócio da Arqueohoje, uma empresa que faz escavações em Viseu desde 1997, diz que tem "imensos" achados nos depósitos da firma.
"Temos muita coisa depositada, mas são materiais que carecem de tratamento e de restauro", explica, lembrando que a lei obriga o arqueólogo a depositar os achados no museu mais próximo ou nos armazéns do Igespar. "Como o Ippar andava em reformulação, resolvemos levar o material para os nossos depósitos. Está lá tudo", assegura Pedro Sobral, disponibilizando-se para fazer a entrega dos achados à Câmara. "Essa questão nunca nos foi posta, mas quando for, só temos de informar o Igespar e este que decida", acrescenta o arqueólogo, que nos concelhos onde tem trabalhado, conseguiu com que as câmaras construíssem núcleos museológicos.
Texto: Rui Bondoso
Fonte: Jornal de Notícias