Nos últimos oito anos, o Pavia foi epicentro de uma das mais notáveis intervenções de requalificação urbana e de valorização ambiental a que Viseu já assistiu. O investimento oficial ultrapassa os 52 milhões. Só falta o funicular.
Este engenho mecânico não poluente, em fase de instalação, vai ligar, em dois a três minutos de viagem, os 400 metros que separam o largo da Feira de S. Mateus do centro histórico, junto à Sé, através da Calçada de Viriato.
O funicular será composto por duas carruagens (cada uma delas com capacidade para 50 passageiros, 10 dos quais sentados) que circulação em vaivém entre o largo de Viriato (junto à pensão com o mesmo nome) e o centro histórico nas traseiras da Casa do Adro. As estações estão já a ser construídas nas zonas terminais.
Calculado em 5,2 milhões de euros, o investimento neste meio de transporte ficará concluído até Março de 2009. Altura em que chega também oficialmente ao fim a intervenção integrada do Programa Polis em Viseu.
O presidente da Câmara Municipal de Viseu (CMV), Fernando Ruas, considera que a instalação do engenho mecânico que vai ligar a baixa e a alta urbanas "é a cereja no bolo" do Programa Polis.
"Nos últimos anos ocorreram intervenções importantíssimas para a cidade. Mas não há dúvida que a requalificação ambiental do rio Pavia e o lançamento do funicular são as obras emblemáticas do projecto", reconhece o autarca.
Num primeiro e breve balanço à intervenção Polis, Ruas garante que apesar de alguns projectos não terem sido concretizados e de outros precisarem ainda de uns retoques, voltaria a aderir sem reservas à intervenção de requalificação.
"Foi um contrato entre duas partes que hoje voltaria a assinar. Se bem que não perca a esperança de corrigir situações que não me agradam plenamente, nomeadamente a falta de espaços verdes junto ao túnel rodoviário de Viriato e ao recinto da Feira de S. Mateus", declarou.
O autarca lamenta ainda que duas intervenções previstas no programa tenham ficado pelo caminho. Estão neste caso o Parque Urbano da Aguieira, onde foi apenas executado o arruamento periférico e a ponte pedonal, e a Cava de Viriato que ficou sem a torre de observação e o centro de interpretação arqueológica.
A exemplo do que sucedeu em várias cidades portuguesas, o Programa Polis foi lançado em 2000 com o propósito de recuperar a baixa ribeirinha numa área de 72 hectares a partir de três eixos estratégicos: requalificação urbana e ambiental, preservação do património arqueológico e histórico e reabilitação de espaços públicos.
A gestão foi feita pela Sociedade Viseu Polis, em fase de liquidação, que integrou como accionistas a Parque Expo e a Câmara de Viseu. Os custos financeiros, calculados em 52 milhões de euros, foram assegurados em 70% por fundos comunitários. O restante foi repartido entre a Câmara e o Estado.
Fonte da Parque Expo admitiu ao JN que os valores finais dos investimentos poderão duplicar. Tudo porque aos 52 milhões oficiais há que juntar obras complementares, resultantes da iniciativa privada, como o Fórum e o Pavilhão Multiusos.
Américo Nunes, representante da Autarquia na sociedade, prefere fazer contas no fim, quando estiverem também contabilizados os milhões gastos pela Câmara em expropriações.
Texto: Teresa Cardoso
Fonte: Jornal de Notícias