Quem passa pela Feira de S. Mateus, este ano, depara-se com uma actividade inédita: baptismo de mergulho. A ini-ciativa é da secção de mergulho dos Bombeiros Voluntários de Viseu e tem como principal objectivo "divulgar a instituição humanitária e mostrar às pessoas uma valência da corporação que é desconhecida pela maioria das pessoas", relata o responsável da secção, José Luís Teixeira. "Gostaríamos de cativar os jovens para este tipo de actividade, afinal os bombeiros não é só apagar fogos e ir a acidentes de viação", acrescenta.
Desde o início da Feira de S. Mateus têm passado pela piscina "centenas de pessoas, embora à água tenham ido só algumas". "Não é obrigatório trazer nada de especial, uma vez que temos cá o equipamento todo, necessário mas, quem quiser, por uma questão de higiene, trazer um fato de banho para vestir, é muito melhor e, é por isso, que não tem ido mais gente à água", justifica.
Para o responsável da equipa de mergulho dos bombeiros, "mergulhar é viciante e, no fim de se experimentar, nunca mais se consegue estar sem mergulhar". José Luís Teixeira explica que, na feira, "não é o mesmo que fazer mergulho mas, já dá para se ter uma ideia e perceber o quão bom é". A piscina disponível no certame tem sete metros e meio de comprido, três metros e meio de largura e um metro e oitenta centímetros de profundidade. "É muito fácil ter pé, não há que ter medo".
Nuno Paz experimentou e quer repetir
Nuno Paz, de 24 anos, fez o seu baptismo de mergulho esta semana. Natural de Alhandra, de visita ao certame viseense, não resistiu e foi experimentar o que "há muito desejava". "O que mais me preocupava era saber se me ambientaria ao peso da garrafa do ar e se precisasse de vir ao de cima por alguma razão, se o conseguiria fazer", adianta Nuno Paz.
"Afinal é muito simples. Todas as dificuldades que pensei ter, não tive, porque se quisesse vir ao de cima bastava carregar num botão do colete e vinha. É muito simples, fácil e sem grande esforço", descreve. A maior dificuldade que teve, "e só no início, foi conseguir equilíbrio e as bolhas de ar à frente dos olhos". "Mas rapidamente contornei a questão". O que de melhor Nuno Paz recolhe da experiência é a "tranquilidade e a calma, o relaxamento que se sente quando se está no fundo da água". "De tão relaxante quase podia dormir a sesta, tal era a calma, a diminuição de barulho", descreve.
O jovem de Alhandra reconhece que depois desta expe- riência vai fazer os possíveis para repetir. "Vou falar com um amigo, em Lisboa, que faz pesca submarina e vou ver com ele que possibilidades tenho de fazer mergulho", revela. "Vou querer mergulhar mais vezes".
Estrutura construída em dois dias
A empresa de Mangualde Prodofibra é a parceira dos bombeiros nesta iniciativa. "Já costumamos estar na feira mas, quando os bombeiros nos apresentaram a ideia, não houve como recusar", conta o proprietário Domingos Xavier.
A piscina leva cerca de 40 mil litros de água, e fica sob a responsabilidade dos bombeiros, toda a restante logística. "A estrutura metálica que rodeia a piscina foi feita em dois dias para que no primeiro dia de feira estivesse tudo pronto". Apesar de reconhecer que a parceria também lhe traz publicidade e que as pessoas fazem perguntas, Domingos Xaviera admite que "foi mais pelo desafio e para colaborar com uma instituição que merece o respeito de todos". "Se cada um ajudar um bocadinho já não é mau".
Embora os bombeiros gostasse de facultar a experiência de forma gratuita, "é pago um valor simbólico, de 10 euros, para pagar os custos de manutenção".
Um valor que Nuno Paz considera "justo, uma vez que além de pagar o material que é posto à disposição, também ajuda os bombeiros".
A experiência demora, sensivelmente, uma hora, entre alguma formação básica e alguns conselhos e os 20 minutos que se está dentro de água.
Fonte: Diário de Viseu