O presidente da Adega Cooperativa de Silgueiros, Fernando Figueiredo, afirmou ontem que vai haver este ano quebras de produção na casta 'Touriga Nacional'
Produção de 'Touriga Nacional' e de brancos vai ter quebras O presidente da Adega Cooperativa de Silgueiros, Fernando Figueiredo, afirmou ontem ao nosso Jornal que vai haver este ano quebras de produção na casta 'Touriga Nacional' e nos vinhos brancos. Com o também presidente da União das Adegas Cooperativas do Dão (UDACA) concordam Carlos Silva, enólogo da UDACA, e o presidente da Cooperativa de Nelas, José Lemos. A razão apontada por todos para que haja baixas na produção na casta 'Touriga Nacional' e nos vinhos brancos, tem a ver com o facto de a "maturação estar atrasada em relação ao ano anterior". E adiantou: "Isso põe-nos um outro problema, que é o de atirar as vindimas para a última semana de Setembro, precisamente a altura em que o tempo começa a ficar mais instável. Carlos Silva complementou: "O tempo pode manter-se incerto durante Agosto e Setembro, que com mais ou menos dificuldade se irão resolvendo os problemas. Agora, na altura das vindimas não pode cair uma gota de água, pois tudo ficará estragado." Relativamente à 'Touriga Nacional', o enólogo clarificou que a casta até é resistente, mas tem um ponto fraco. "É a que apresenta mais inflorescência (possui mais flores), mas também é a que tem o menor índice de fecundidade", acentuou. Daí que haja "desavinho", com os cachos a serem mais raros devido aos problemas de floração provocados pelo tempo incerto - chuva e frio.
Sol... precisa-se!
De resto, o técnico da UDACA Silva adiantou não haver problemas com as restantes castas, nomeadamente a Tinta Roriz, a Jaen e o Alfrocheiro, pelo que, de um modo geral, a produção será "idêntica ou mesmo superior em relação à verificada o ano passado". Quanto a doenças - oídio e míldio -, elas não foram muito acentuadas, porque houve uma "grande melhoria no cuidado e acompanhamento vitícola" por parte dos agricultores, salientou Carlos Silva. Questionado sobre qual era a situação ideal, apontou: "Era bom que o Sol e o calor aparecessem, para maturarem bem as castas que não sofreram muito com o tempo incerto. Não deixou, no entanto, de alertar: "Vamos ver o que vai acontecer na altura das vindimas. É das tais situações que não podemos perspectivar. Se chover...!!!" O presidente da Cooperativa de Nelas, apesar de concordar que a produção deste ano será idêntica à de 2007, apontou que isso não deixa de ser "preocupante", já que não se tem atingido a quantidade e a qualidade de outros tempos, precisamente devido a problemas postos pelo tempo incerto.