As Cavalhadas de Vildemoinhos desfilam pelas ruas de Viseu no dia de S. João, mas a sua história remonta a 1652 e não tem nada a ver com o santo padroeiro, mas com uma disputa de águas entre os moleiros de Vildemoinhos e os agricultores de Viseu.
Poucas pessoas sabem que o confronto se deu devido ao facto de o Inverno de 1652 ter sido muito pouco chuvoso, daí sobrevindo um ano seco. A partir de certa altura, como a água escasseasse, os agricultores de Viseu decidiram apresá-la em pequenos diques.
Ora, isso implicou que o precioso líquido deixasse de correr para Vildemoinhos e para os moleiros, que dela necessitavam para fazer andar as mós dos seus moinhos. Começou também a faltar, por isso, o pão e a 'Boroa Trambela', que é feita de milho.
Ajudas precisam-se!
Perante a situação, os moleiros 'invadiram' Viseu, montados a cavalo e a pé, destruindo todas as represas que encontravam pela frente. Esse gesto valeu-lhes uma queixa em tribunal, interposta pelos agricultores de Viseu.
Antes do julgamento, os moleiros foram à Capela de S. João da Carreira, onde fizeram a promessa de não esquecer a data, caso o processo lhes fosse favorável. Os juizes deram razão aos moleiros de Vildemoinhos, sancionando a sua acção e condenando a realizada pelos agricultores.
A partir daí, os trambelos cumprem religiosamente o prometido, vindo a Viseu e à Capela de S. João da Carreira, em agradecimento. Só que a 'invasão' passou a ser pacífica e motivo de alegria, sendo já um dos 'ex- -libris' da cidade.
E foi realçando essa tradição que encontrámos João Rodrigues, da Comissão das Cavalhadas de Vildemoinhos, a pedir ajuda ao público, porque está "cada vez mais difícil realizar o evento, que envolve verbas muito altas", conforme confessou ao nosso Jornal.
"O Comércio colabora, mas de forma muito limitada", sublinhou, avançando que "até as entidades oficiais estão parcas em ajudas". Daí o apelo constante às pessoas. "Que nos auxiliem a amenizar os custos, é isso que solicitamos", frisou.
Fonte: Diário de Viseu