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Cavalhadas de Vildemoinhos voltaram a cumprir promessa feita há 356 anos

 As Cavalhadas de Vildemoinhos cumpriram a tradição, atravessando as ruas de Viseu, como fizeram pela primeira vez há 356 anos, mas nessa altura por problemas relacionados com escassez de água, depois de um Inverno seco.
 Cavalhadas de Vildemoinhos voltaram a cumprir promessa feita há 356 anos  
As Cavalhadas de Vildemoinhos desfilam pelas ruas de Viseu no dia de S. João, mas a sua história remonta a 1652 e não tem nada a ver com o santo padroeiro, mas com uma disputa de águas entre os moleiros de Vildemoinhos e os agricultores de Viseu.
Poucas pessoas sabem que o confronto se deu devido ao facto de o Inverno de 1652 ter sido muito pouco chuvoso, daí sobrevindo um ano seco. A partir de certa altura, como a água escasseasse, os agricultores de Viseu decidiram apresá-la em pequenos diques.
Ora, isso implicou que o precioso líquido deixasse de correr para Vildemoinhos e para os moleiros, que dela necessitavam para fazer andar as mós dos seus moinhos. Começou também a faltar, por isso, o pão e a 'Boroa Trambela', que é feita de milho.

Ajudas precisam-se!

Perante a situação, os moleiros 'invadiram' Viseu, montados a cavalo e a pé, destruindo todas as represas que encontravam pela frente. Esse gesto valeu-lhes uma queixa em tribunal, interposta pelos agricultores de Viseu.
Antes do julgamento, os moleiros foram à Capela de S. João da Carreira, onde fizeram a promessa de não esquecer a data, caso o processo lhes fosse favorável. Os juizes deram razão aos moleiros de Vildemoinhos, sancionando a sua acção e condenando a realizada pelos agricultores.
A partir daí, os trambelos cumprem religiosamente o prometido, vindo a Viseu e à Capela de S. João da Carreira, em agradecimento. Só que a 'invasão' passou a ser pacífica e motivo de alegria, sendo já um dos 'ex- -libris' da cidade.
E foi realçando essa tradição que encontrámos João Rodrigues, da Comissão das Cavalhadas de Vildemoinhos, a pedir ajuda ao público, porque está "cada vez mais difícil realizar o evento, que envolve verbas muito altas", conforme confessou ao nosso Jornal.
"O Comércio colabora, mas de forma muito limitada", sublinhou, avançando que "até as entidades oficiais estão parcas em ajudas". Daí o apelo constante às pessoas. "Que nos auxiliem a amenizar os custos, é isso que solicitamos", frisou.

Fonte: Diário de Viseu

 


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