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Viseu sem resposta para acolher vítimas de violência

 Os vários projectos em curso na região de Viseu de combate à violência doméstica dão conta da falta de centros de acolhimento temporário para vítimas, na sua maioria mulheres.
 Viseu sem resposta para acolher vítimas de violência  
Nesta altura a Cáritas Paroquial dispõe de um serviço de acolhimento temporário que permite às vítimas permanecerem pouco mais de uma semana. A diocese de Viseu prepara-se para construir, em Mangualde, a casa de apoio a mães em risco, que poderá acolher casos de violência: outros projectos têm vindo a ser anunciados. Mas por agora a carência é evidente.
O projecto COMVIDA lançado pela Cáritas de Viseu em 2006, reconhece que as acções programadas que têm vindo a desenvolver, estão a dar os seus frutos. Mas, a responsável pelo projecto, Ana Gomes, adianta que as vítimas continuam a não denunciar o agressor "com medo das represálias" quando regressam a casa. "Muitas têm medo de entrar no hospital por agressão e, quando se vêm obrigadas a recorrer ao hospital normalmente apontam outra causa", específica.
Ana Gomes recorda o caso de uma mulher que há dias recorreu à Cáritas de Viseu a queixar-se com dores nas costas, porque o marido a tinha batido com uma mangueira e queimado com um cigarro. Estes casos, adianta a responsável, deviam ser encaminhados para um centro de acolhimento, permitindo à vítima estar em segurança e protecção para denunciar o agressor. "Os serviços fecham às 17h30 e depois?", questiona.

Números

Enquanto se mantêm as carências de estruturas de apoio às vítimas de violência doméstica, o número de casos continua a aumentar em Portugal.
O caso ocorrido em Mangualde, em Julho do ano passado, cujo agressor foi julgado esta semana (ver caixa em baixo), faz parte dos 409 autos levantados só pelo Núcleo Mulher e Menor da GNR de Viseu, em 2007, no distrito. Em 2006, registou-se um outro homicídio no concelho de Castro Daire, em que a mulher matou o marido. O ano de 2005 ficou marcado pelo triplo homicídio, seguido de suicídio, em S. João da Pesqueira.
Nos primeiros quatro meses deste ano, a GNR registou 166 casos de violência doméstica por todo o distrito, com 117 vítimas (dado referente aos primeiro trimestre do ano). Viseu (30 casos) foi o concelho com mais casos assinados, seguindo-se Mangualde (26 casos) e Tondela (12 casos). Abril foi o mês com mais situações registadas.
Estes são os dados oficiais, mas há muitos outros números e muitos outros casos assinalados por diversas instituições. Em Viseu, o COMVIDA registou 89 casos de violência doméstica (67 femininos e 22 masculinos), em que algumas das vítimas se dirigiram directamente ao gabinete, sem fazer qualquer denúncia.
A linha SOS Apoio à Vida, lançada em Fevereiro pela Diocese de Viseu já recebeu 10 situações de violência doméstica do total de 258 chamadas. Um número que se destaca relativamente aos restantes motivos pelos quais as pessoas recorrem à linha.
Apesar de "assustador" como alguns chamam o cenário da violência domésticas, os responsáveis directos não confirmam o aumento de casos no distrito de Viseu. Preferem antes avançar que está a aumentar o número de denúncias.

Texto de Emília Amaral
Fonte: Jornal do Centro

 


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