O choque entre duas viaturas foi fatal na EN229, na zona de Cavernães, Viseu. O acidente ocorreu pouco depois das 13 horas. Os bombeiros foram alertados para uma colisão frontal, mas quando chegaram ao local depararam-se com um cenário "bastante trágico". Dentro de uma das viaturas encontrava-se o condutor carbonizado.
Alguns populares que seguiam as viaturas acidentadas, antes da chegada do socorro, ainda tentaram apagar o fogo com o recurso aos extintores das suas viaturas. Mas nada puderam fazer.
"Pediram-me uma navalha para cortar cinto"
Manuel Salvador foi uma das pessoas que quando chegou ao local do acidente e viu o carro em chamas foi logo buscar o seu extintor. "Tive o fogo praticamente apagado, mas depois acabou-se o pó e as chamas voltaram", contou desgostoso o taxista de Vila Nova de Paiva. "Todos tentámos ajudar com os extintores, mas eles são pequenos. Eu ainda dei a minha navalha a um bombeiro do Sátão que estava de passagem e que quando se apercebeu do acidente tentou logo fazer o salvamento. Era para cortar o cinto…", recordou.
Morto antes do incêndio
O corpo do condutor estava completamente carbonizado, mas as autoridades médicas admitiram que a vítima já deveria estar morta antes do incêndio. "Quando a VMER (Viatura Médica de Emergência e Reanimação) e a Ambulância chegaram, o carro estava em fogo. Encontrámos um corpo carbonizado, ao que tudo indica o de condutor, mas que deveria ter morrido do choque tendo em conta a perda de massa encefálica. No entanto, só a autópsia é que poderá dar a certeza", explicou Américo Borges, médico da VMER.
Uma condutora, uma das primeiras a chegar ao local do acidente, lembra-se de também de ter pegado num extintor para ajudar a controlar o incêndio. "O carro estava em muito mau estado", frisou ainda em choque. Uma professora que vinha de Vila Nova de Paiva para Viseu recorda-se de que quando saiu do carro e ainda não sabia o que se passava sentiu um cheiro forte a queimado e viu depois fumo a sair de uma viatura.
A vítima mortal teria cerca de 50 anos e era de Aguiar da Beira.
Condutor "desaparecido"
O condutor do segundo carro envolvido no acidente tem 75 anos e é de Trancoso. O seu paradeiro foi, durante algum tempo, desconhecido quer das autoridades, quer dos agentes de socorro que estiveram na EN229. Algumas das testemunhas não se recordavam de ter visto o acidentado quando chegaram ao local, apenas um dos carros em chamas, enquanto outras diziam que o tinham visto a abandonar o local.
Passado algum tempo o mistério foi desfeito, quando a Brigada de Trânsito foi informada de que o ferido teria sido transportado ao hospital numa viatura particular.
Segundo Luís Viegas, do gabinete de Relações Públicas do Hospital de S. Teotónio, de Viseu, o homem deu entrada no serviço de Urgência às 13h46m.
"Não foi transportado nem pelos bombeiros, nem pelo INEM, nem pela Viatura de Emergência Médica. E não terá vindo a pé. Por isso, presumivelmente, veio num carro particular", afirmou. Informou ainda que o condutor queixou-se de "dor torácica" e que foi submetido a exames médicos.
No local do acidente, a Brigada de Trânsito esteve a reunir informações que indicassem a causa do acidente. Segundo o primeiro-sargento Lopes, à chegada ao local foi difícil perceber a forma como se deu o sinistro, já que uma das viaturas estava no meio da estrada e a outra completamente queimada e contra uma oliveira. Já os agentes do Núcleo de Investigação da GNR recolheram indícios para ajudar a montar "o filme" do acidente. Segundo testemunhas, o carro do homem ferido ía no sentido Sátão e Viseu, chocando com o outro que seguia no sentido inverso e que se despistou na sequência do embate.
O corpo da vítima mortal foi retirado da viatura pouco depois das 15h30m e a estrada esteve cortada ao trânsito, nos dois sentidos, até às 16h30m.
Fonte: Diário de Viseu