"Satisfação" e "emoção" foi o que o líder do Executivo, José Sócrates, manifestou ontem na assinatura dos contratos de apoio a 25 das 27 micro, pequenas e médias empresas (PME) que estiveram presentes no Auditório da Escola Superior de Tecnologia de Viseu (ESTV), e no Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), na entrega de computadores portáteis.
O primeiro-ministro começou por sublinhar a "rapidez" com que está a ser aplicado o Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN), apontando que os projectos foram aprovados menos de dois meses depois de terem encerrado as candidaturas. "Tal nunca aconteceu nos outros quadros comunitários de apoio", salientou.
Virando-se para os empresários que se encontravam no Auditório da ESTV, José Sócrates justificou a sua presença na cerimónia de assinatura dos contratos de apoio às PME por querer dar uma "palavra de incentivo e de confiança" a todos quanto contribuem para o "desenvolvimento de Portugal".
PME são a coluna vertebral da economia
Ao referir que o investimento é essencial para o crescimento e para a competitividade do país no mundo globalizado, frisou que em causa estão "incentivos na ordem dos 19,8 milhões de euros para um investimento de 41,2 milhões de euros, no tocante às empresas em referência.
"Os empresários presentes mostram que estão dispostos a dar o máximo para construírem um país melhor e não para se lamentarem", frisou o líder do Executivo, para quem há "bastante gente motivada e disponível a seguir as mesmas pisadas. O exemplo por si apontado foi o facto de a economia nacional ter subido 1,9 por cento o ano passado, o "maior crescimento atingido em seis anos", realçou. "É o regresso do investimento que está para continuar", acentuou, igualmente contente por terem sido premiadas 12 empresas, no âmbito do Programa SIM - Soluções Integradas para a Modernização.
Antes falara Manuel Pinho, ministro da Economia, o qual explicou que não fosse a "dieta a que o Estado se encontra obrigado, e o crescimento em 2007 podia ter sido de 2,8 por cento". Para não deixar dúvidas, clarificou: "Se fosse só pela iniciativa privada, era isso que teria sucedido!"
Noutro passo da sua intervenção deixou bem expresso que as pequenas e médias empresas são a "coluna vertebral da economia europeia e, por maioria de razões, de Portugal".
Mais de 400 mil no Centro Novas Oportunidades
Foi na atribuição de certificados de habilitação a formandos do Centro Novas Oportunidades e na entrega de computadores portáteis, alguns deles destinados a cidadãos portadores de deficiência, que José Sócrates se emocionou.
"Todos nós temos orgulho no vosso trabalho, pois sabemos que tudo começa com o acto de coragem de quem percebe que precisa de voltar aos bancos da escola", sublinhou, acrescentando que para muitos é a "primeira oportunidade que tiveram na vida".
José Sócrates especificou que não existe "nada mais importante para um governante do que dar oportunidades aos cidadãos". Avançou que o "país precisa da qualificação dos portugueses", e explicou: "Sem ela Portugal não poderá vencer e, por isso, é em vocês que temos de investir".
O líder do Executivo frisou que o país não pode esperar pelas novas gerações, daí que estejam inscritos no Centro Novas Oportunidades mais de 400 mil portugueses. "Há muitas desigualdades no nosso país, mas isso tem a ver com a diferença gritante de habilitações. A única forma de as esbatermos é qualificar os portugueses. Não podíamos continuar como estávamos, parados, imobilizados!"
PSD acusa José Sócrates de vir em campanha eleitoral ao distrito de Viseu
"Os ministros do governo socialista têm levado a efeito uma política de irresponsabilidade e falsidade". Esta é a posição da Distrital do PSD de Viseu que acusou o primeiro-ministro de vir ao distrito fazer "a única coisa que lhe falta: decretar o encerramento do Interior". Segundo um comunicado da Distrital, José Sócrates esteve no "distrito esquecido por este Governo" e onde "julga agora vir salvar o mandato, a um ano de eleições".
Os sociais-democratas apontam algumas promessas eleitoralistas não cumpridas, desde a questão dos postos de trabalho, passando pelo encerramento de serviços. "O que nós queremos é medidas que mereçam o respeito e dignificação dos portugueses em geral e dos viseenses em particular. Não nos satisfazem medidas de encerramento de serviços fundamentais ao desenvolvimento de qualquer região, seja no interior ou no litoral, a norte ou a sul", sustenta o PSD, acrescentando "este primeiro-ministro está dotado de tiques ditatoriais, que em nada elevam a democracia e a dignidade humana". E é precisamente sobre o Interior que o PSD da Guarda vai promover, em 19 de Abril, um congresso para contribuir para a definição de orientações e políticas "que favoreçam a coesão nacional" e promovam "um desenvolvimento social equilibrado".
O dirigente distrital do partido, Álvaro Amaro, anunciou que o "Congresso da Interioridade" contará com a participação de Miguel Cadilhe, Daniel Bessa e Arlindo Cunha, estando na sessão de encerramento o presidente do partido, Luís Filipe Menezes.
Texto: Seia de Matos
Fonte: Diário de Viseu