As eleições para a presidência do Instituto Politécnico de Viseu (IPV), marcadas para hoje, foram adiadas. O Tribunal Administrativo e Fiscal de Viseu deu seguimento a uma providência cautelar em que é contestado o facto de o escrutínio se realizar com base numa legislação já revogada. O IPV tem agora dez dias para recorrer desta decisão.
Ainda não é desta vez que se fica a conhecer o novo presidente do Instituto, num acto eleitoral que é disputado por Fernando Sebastião, que já tinha sido candidato nas anteriores eleições, e Daniel da Silva.
João Pedro Barros - que em 1985 foi nomeado presidente da comissão instaladora do IPV e, posteriormente, reeleito três vezes - não poderá voltar a concorrer ao cargo. A pressão sobre estas eleições tem sido enorme, com dois lados a disputarem qual a melhor altura para a sua realização. De um lado estão os subscritores da providência cautelar que advogam o facto de a actual conjuntura não ser a juridicamente correcta, enquanto que há outra facção que opta pelo escrutínio a bem da "estabilidade" da instituição. A existência de um abaixo-assinado onde algumas figuras influentes da região estão presentes pretendia também que fosse declarado o "interesse público" para que o acto não sofresse mais atrasos.
O rival e o vice-presidente
Mais cedo ou mais tarde, a presidência do Politécnico vai ter um novo nome. Daniel da Silva, vice-presidente de João Pedro Barros, tem vindo a defender que o acto eleitoral não deveria ser realizado, atendendo ao período de mudança que se vive devido ao novo Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior, com o IPV e as suas escolas a necessitarem de elaborar urgentemente os seus estatutos.
"Penso que a instituição sairia beneficiada se os actuais dirigentes (do IPV e das suas unidades orgânicas) prolongassem, por mais uns meses, o seu mandato", defende.
Neste âmbito, justifica ter decidido avançar com "uma candidatura para desempenhar as funções até à homologação dos estatutos e constituição dos órgãos do IPV e das escolas".
Fernando Sebastião, que há três anos saiu derrotado, afirma que concorre ao acto eleitoral porque "a mudança é necessária". Admite na sua declaração de princípios que se vive um momento "particularmente complexo", atendendo à situação económica do país, "que obriga a uma grande contenção orçamental na gestão da instituição" e às "grandes mudanças organizacionais que, obrigatoriamente, terão que ser implementadas num curto espaço de tempo, em consequência das recentes alterações legislativas".
Fernando Sebastião defende ainda que o IPV "deve ser gerido através de um modelo que valorize os princípios, que ostente a transparência dos processos e que apele à participação de cada unidade orgânica e de cada um dos seus membros", cabendo ao seu presidente "assumir uma atitude isenta, motivadora e moderadora de eventuais conflitos entre pessoas e entre instituições".
Fonte: Diário de Viseu